quarta-feira, 6 de setembro de 2017

POEMA: NÃO SEI QUE SOU

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

REFLEXÃO: PAUSA

Quando pouso os óculos sobre a mesa para uma pausa na leitura de coisas feitas, ou na feitura de minhas próprias coisas, surprendo-me a indagar com que se parecem os óculos sobre a mesa.
Com algum inseto de grandes olhos e negras e longas pernas ou antenas?
Com algum ciclista tombado?
Não, nada disso me contenta ainda. Com que se parecem mesmo?
E sinto que, enquanto eu não puder captar a sua implícita imagem-poema, a inquietação perdurará.
E, enquanto o meu Sancho Pança, cheio de si e de senso comum, declara ao meu Dom Quixote que uns óculos sobre a mesa, além de parecerem apenas uns óculos sobre a mesa, são, de fato, um par de óculos sobre a mesa, fico a pensar qual dos dois - Dom Quixote ou Sancho - vive uma vida mais intensa e portanto mais verdadeira...
E paira no ar o eterno mistério dessa necessidade da recriação das coisas em imagens, para terem mais vida, e da vida em poesia, para ser mais vivida.
Esse enigma, eu o passo a ti, pobre leitor.
E agora?
Por enquanto, ante a atual insolubilidade da coisa, só me resta citar o terrível dilema de Stechetti:
"Io sonno un poeta o sonno un imbecile?"
Alternativa, aliás, extensiva ao leitor de poesia...
A verdade é que a minha atroz função não é resolver e sim propor enigmas, fazer o leitor pensar, e não pensar por ele.
E daí?
- Mas o melhor - pondera-me, com a sua voz pausada, o meu Sancho Pança -, o melhor é repor depressa os óculos no nariz.

Mário Quintana

ENXERGANDO CAMINHOS

     Tem quem acredite que na vida tudo já esta estabelecido desde o dia que somos concebidos com tudo já programado, nascimento, choros, doenças, casamento, filhos etc, penso que quem segue essa ideologia é formidável, pois por muitas vezes gosto de acreditar que tudo na vida esta programado, mas na grande parte das vezes prefiro acreditar que tudo que ocorre em nosso dia-a-dia é fruto do puro acaso.

     Pode até parecer um tanto contraditório querer pensar desse modo mas não acredito que tudo esta pré determinado na vida, senão onde estaria aquele tal do livre arbítrio que muitos gostam de falar  e utilizar para demostrar que as atitudes que possuirmos são cem por cento de certeza nossas e de mais ninguém.

   Gosto de acreditar que tudo que ocorre em nossas vidas tem um motivo na qual dificilmente enxergamos de modo correto e prático em um curto período de tempo só que é neste momento é que enxergo a beleza da vida pois para muitos já estava escrito que tal acontecimento iria ocorrer, para outros esta escrito nas estrelas e para alguns tantos só existe a pura coincidência. 

    Mesmo existindo tantas maneiras de ver a mesma coisa o bom da vida é que ela nos dá a oportunidade de optarmos por aquela maneira que mais acreditamos ser a ideal. A questão esta em como você compreende e enxerga tudo isso.

Dhiri Silva  
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